Domingo, 2 de Agosto de 2009
publicado por JN em 2/8/09

Há um momento que se repete em quase todos os episódios de Boston Legal (Fox Crime). Danny Crane e Alan Shore estão à varanda, fumando os seus charutos após mais um dia de trabalho na Crane, Poole & Schmidt. Às vezes estão a discutir, outra vezes não. Mas fazem sempre as pazes. E, então, inicia-se a sequência. Shore (o brilhante James Spader) pergunta: “Dormes cá esta noite?” Crane (o não menos brilhante William Shatner) responde: “Outra vez essa conversa?” Os dois riem-se. Depois levantam-se. Abraçam-se. Sentam-se. Voltam a levantar-se. Tornam a abraçar-se. E sentam-se de novo.

Descrito de início como uma espécie de “Ally McBeal para homens”, Boston Legal rapidamente se revelou mais do que isso. Uma das suas preocupações é pensar a América – e, enquanto durou a campanha para a sucessão de Bush, a propaganda por Obama foi óbvia. Outra é pensar as convenções da vida contemporânea – e desde o primeiro episódio que descreve o sexo no trabalho não como uma tensão, mas como a mais humana das tentações. Outra ainda é pensar a relação entre machos – e todos os dias Shore e Crane, femeeiros empedernidos, acabam o episódio aos abraços, declarando-se amor e prometendo-se não sobreviver a uma separação.

A renovação dos contratos de Boston Legal para uma sexta temporada é uma das melhores notícias deste Verão. Ali, os homens abraçam-se sem receios – e, para isso, não é preciso serem mafiosos ou jogadores de futebol. Só amigos.


CRÍTICA DE TV ("Crónica TV"). Diário de Notícias, 2 de Agosto de 2009.

2 comentários:
De Ana a 13 de Agosto de 2009 às 18:44
É muito lindo, mas na verdade os 2 são mulherengos, têm uma vida recheada de mulheres, mas só encontram satisfação na relação que têm um com outro. Isso tem um nome, começa com a e termina com mar...
Ana, mulher do Pedro da Lanchonete.
De Pipa a 17 de Agosto de 2009 às 20:31
excelente novidade!! e é muito mais que um “Ally McBeal para homens”, sem dúvida alguma.

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Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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