Domingo, 14 de Março de 2010
publicado por JN em 14/3/10

Começou por ser o sonho de um homem só, mas ao fim de escassos cinco anos está já disperso pelo mundo inteiro, Portugal incluído. Desde Novembro passado que uma dezena de campos de golfe do Algarve dispõem do Shadow Caddy, o novo trolley robótico que segue o jogador para todo o lado como um cãozinho – e o homem que o trouxe para Portugal, Tom Olthof, pretende agora atacar em força os mercados da Grande Lisboa, do Grande Porto e de diferentes regiões de Espanha, na esperança de ter já cobertos 60 campos da Península Ibérica até ao final do ano.

“Com a crise económica generalizada, de resto com graves implicações no sector do turismo, sobreviver depende também disto: de sermos capazes de criar novos serviços que possam ajudar a fidelizar os golfistas estrangeiros que nos visitam”, diz Olthof, um cidadão holandês há muito radicado em Portugal. “Portugal tem o melhor conjunto de campos da Europa, mas precisa de jogadores. Ora, o pior que se pode fazer quanto a isso é enfiar a cabeça na areia, como a avestruz. E o Shadow Caddy é uma iniciativa importante para combater a recessão no sector.”

A ideia nasceu de Hubert Novak, um engenheiro e golfista australiano que há uns anos começou a sofrer de problemas nas costas e de imediato começou à procura de uma solução. Resultado: um robô que faz tudo aquilo que se costumava pedir aos caddies humanos, figura entretanto circunscrita a uns quantos velhos country clubs. Ligado ao jogador através de um radiotransmissor que este traz apenso ao cinto, o Shadow Caddy segue o jogador à distância de um metro e meio – e, naturalmente, carrega ele próprio os tacos, permitindo ao golfista desfrutar do passeio e do jogo com maior conforto.

Trata-se, na verdade, de um pequeno prodígio de engenharia. Projectado em 2005 e lançado no mercado australiano apenas três anos depois, o Shadow Caddy é cem por cento robótico, tem autonomia suficiente para 40 buracos, é capaz de subir ladeiras com 30% de inclinação e resiste tanto ao sol como à chuva, tendo sido testado nas condições atmosféricas mais extremas. No momento em que vai entrar num green ou num bunker, o jogador limita-se a premir um botão, obrigando-o a parar até que volte a accioná-lo. E um conjunto de seis dispositivos de infra-vermelhos permitem-lhe, entretanto, evitar o choque com qualquer tipo de objectos, incluindo árvores, bancos de jardim ou mesmo as pernas dos jogadores.

“É um produto cinco estrelas, que se adapta a golfistas de todos os níveis e de todas as idades”, sublinha Tom Olthof. “A ideia é permitir aos amadores praticarem a modalidade exactamente como os profissionais, concentrando-se em exclusivo no jogo e deixando as tarefas mais comezinhas a cargo de uma segunda entidade, que por acaso é um robô. Estou convencido de que o Shadow Caddy será importantíssimo para convencer as pessoas a jogarem as suas rondas de golfe a pé, fazendo exercício físico e, inclusive, melhorando o seu score. O que é válido para jovens, mas também para seniores – talvez até sobretudo para estes.”

O modelo de negócio não está especialmente vocacionado para a venda a retalho, visto o gadget pesar 65 kg e ser pouco cómoda de transportar. Um jogador que more junto a um campo de golfe pode efectivamente adquirir uma unidade, à venda por € 4950. Tal como a australiana Shadow Caddy Company ou qualquer outra das subsidiárias ao redor do mundo, porém, a Shadow Caddy Iberia aposta sobretudo na concessão de unidades aos campos, que explorarão a máquina eles próprios, cabendo depois uma parte das receitas à empresa proprietária. O valor de aluguer aconselhado para uma ronda de 18 buracos situa-se entre os € 15 e os € 25. A maior parte dos campos algarvios que já o disponibilizam está a cobrar € 20.

“Em Vale de Lobo, por exemplo, tem sido um sucesso. Os clientes alugam-nos bastante e saem sempre satisfeitos”, diz Olthof. “Infelizmente, isso não tem acontecido em todos os campos. Há clientes que não chegam sequer a saber da existência do Shadow Caddy. Outros alugam-no, mas vêm a verificar que ele está sem bateria ao fim de alguns buracos. Nem todos os campos estão, portanto, a geri-lo bem. Os caddy masters são essenciais nisto. Mas estou em crer que, com o tempo, a situação será resolvida.” Para além disso, acrescenta o importador, em breve a chuva terá acabado, permitindo a muitos outros jogadores deixarem de precisar de um buggy para se refugiarem dela.

“Uma maneira melhor de jogar golfe”, diz um dos slogans da campanha de lançamento mundial, entretanto já alargada a países tão díspares como os Estados Unidos e o Canadá, a Alemanha e a França, a África do Sul e a Nova Zelândia, a Coreia do Sul, a China e o Japão. No futuro, a Shadow Caddy Iberia espera estar presente em todos os mais de 350 campos campionship da Península Ibérica. “No ano passado fizemos uma série de demonstrações e testes junto do público. O impacte foi sempre impressionante. O Shadow Caddy é uma máquina que provoca as reacções mais diversas, incluindo a simples curiosidade, o mais profundo espanto e as gargalhadas mais divertidas. Mas nunca deixa de originar imenso carinho”, diz Tom Olthof. O apoio do Conselho Nacional da Indústria do Golfe, entretanto já oficializado, pode vir a ser essencial para a criação de uma nova tendência na forma como se joga golfe em Portugal.


 


UM GADGET DO SÉCULO XXI


Desenvolvido em apenas três anos, o robô inventado por Hubert Novak, o primeiro caddy completamente mãos-livres do mundo, é um pequeno prodígio da engenharia. Para breve está prometida a instalação de tecnologia GPS, primeiro para a monitorização da máquina e mais tarde para o próprio planeamento do jogo.


- Tecnologia 100% robótica

- Operação através de radiotransmissor (duas antenas)

- Autonomia de 40 buracos

- Capacidade para subir inclinações até 30º

- Resistência a todas as condições atmosféricas

- Seis sensores infra-vermelhos anti-colisão

- Sentidos avante e marcha-atrás

- Baterias de 24 volts

- 2 motores individuais, com 180 w e 4000 rpm

- Velocidade máxima até 8 km

- Travão individual em cada roda

- Display electrónico com tecnologia LCD

- Controlador de movimentos CMC, com velocidade de processamento até 200 vezes/segundo

- Interruptor de segurança

- 65 kg de peso


 


 


32 UNIDADE EM 10 CAMPOS


É nos campos de Vale de Lobo que o Shadow Caddy tem atingido maior sucesso. Mas são já 10 os campos algarvios que permitem o seu aluguer, num total de 32 unidades colocadas no terreno em apenas três meses). O aluguer custa, habitualmente, € 20 por cada ronda de 18 buracos.


OCEAN VALE DE LOBO (Vale de Lobo): 4 (em partilha com o campo Royal)

ROYAL VALE DE LOBO (Vale de Lobo): 4 (em partilha com o campo Ocean)

PINHEIROS ALTOS (Quinta do Lago): 4

QUINTA DA RIA (Tavira): 4 (em partilha com o campo Quinta de Cima)

QUINTA DE CIMA (Tavira): 4 (em partilha com o campo Quinta da Ria)

BENAMOR (Tavira): 4

QUINTA DO VALE (Castro Marim): 4

PINE CLIFFS (Albufeira): 4

PENINA (Portimão): 4

VALE DA PINTA (Carvoeiro): 4


 


NÃO CONDUZA: CAMINHE!


Usar um Shadow Caddy em vez de um buggy permite, para além de uma concentração suplementar no jogo propriamente dito, um exercício físico muito mais completo do que aquele que é praticado ao volante. Com uma série de benefícios para a saúde, naturalmente.


- Redução dos riscos de doenças coronárias

- Redução da tensão arterial e do colesterol

- Manutenção física e diminuição do risco de obesidade

- Aumento da densidade óssea, com prevenção da osteoporose

- Redução dos riscos de cancro no cólon e da mama

- Redução dos riscos de diabetes

- Melhoria da flexibilidade e da coordenação muscular

- Reforço do bem-estar mental


FEATURE. J, 14 de Março de 2010

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1 comentário:
De Goncalo Costa a 15 de Março de 2010 às 17:27
Ola Joel!
Um robot caddy interessante....mas um bocado caro nao? Vou continuar com o meu powakaddy que tanto jeito me tem dado. Abraco Goncalo Costa

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Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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