Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
publicado por JN em 18/11/09

Não, ainda não estamos lá. Ao vencer, no final de Agosto, a terceira edição da FedEx Cup, o norte-americano Tiger Woods encaixou automaticamente dez milhões de dólares (sem contar com o prize moneys dos torneios em que pontuara). Pelo contrário, quem vencer a Race To Dubai, que se conclui no próximo fim-de-semana nos Emiratos Árabes Unidos, não ganhará mais de 1,5 milhões de dólares (mais prize moneys também).


E, no entanto, o mínimo que se pode dizer desta primeira edição do campeonato anual com que o European Tour tenta responder à criação da americana FedEx Cup é que foi um sucesso. Responsáveis e observadores são unânimes: houve mais dinheiro do que nunca, houve mais atenção da parte dos media do que em qualquer altura – e, ainda por cima, a disputa pelo primeiro lugar foi uma das mais renhidas de sempre, se não mesmo a mais renhida.

Pois tudo se conclui no próximo domingo no Dubai, mais concretamente no Earth Course do Jumeirah Golf Estates. Hoje ainda estão a finalizar-se dois torneios: o regular UBS Hong Kong Open e o oposite field JBWere Masters. Aliás, entre os dias 26 e 29 ainda se disputará, em Mission Hills (China), a Omega Mission Hills World Cup. Mas esta já não conta para a classificação – e os primeiros dois, podendo mudar alguma coisa na frente, ainda não decidirão nada.

O Dubai, sim. Do Dubai, e realizada a primeira edição do novo Dubai World Championship presented by: DP World, já ninguém sairá sem a sua classificação final anual e o respectivo prize money (isto se ficar entre os 15 primeiros, entre os quais serão repartidos os 7,5 milhões de dólares em causa). E o facto é que a luta na frente está ao rubro. A uma semana do fim da competição, e ainda sem os resultados do UBS Hong Kong Open e do JBWere Masters, há pelo menos 15 jogadores (ou 14, tendo em conta a lesão de Paul Casey) em condições de inscreverem o seu nome na primeira entrada do palmarés do novo campeonato anual europeu.

Lee Westwood leva vantagem. Com a vitória no Portugal Masters, o inglês passou para a frente da classificação – e ainda não a largou. Para ele, seria o encerramento perfeito para um ano, no mínimo, instável. Perdida em 2008 a sua segunda Ordem de Mérito Europeia (ganhara-a em 2000), depois de muito tempo à frente e de uma recta final de temporada inferior à do sueco Robert Karlsson, Westwood passou 2009 aos altos e baixos, voltando a fazer muitos top ten, mas só vencendo em Portugal– e lamentando amargamente, por exemplo, os três putts no último buraco do British Open, que o excluíram do playoff.

E, porém, a concorrência está mesmo ali. O jovem norte-irlandês Rory McIlroy, que dominou a classificação até ao Portugal Masters, arrancou na semana passada uma brilhante última ronda (63) para acabar o HSBC Champions em quarto lugar, apertando o cerco ao adversário. O também jovem alemão Martin Kaymer conseguiu igualmente um top ten, mantendo-se a menos de 100 mil euros do topo de classificação. O inglês Ross Fisher, embora não tenha jogado propriamente bem, ainda segurou um top 30, conservando o elã trazido da extraordinária vitória sobre o americano Anthony Kim na final do Volvo Masters. E, de resto, há ainda outros 11 jogadores a uma distância de menos de 1,25 milhões de dólares do líder, podendo portanto, com um primeiro lugar o Dubai, acabar o ano à frente.

“O European Tour ofereceu-se para reduzir o prize money, tendo em conta a situação económica internacional, e propôs-se reanalisar anualmente a situação, de forma a reflectir com precisão o desenvolvimento global da economia”, anunciou George O’Grady, CEO do European Tour, explicando a descida dos prémios em jogo de 20 para 15 milhões de dólares. “Mas temos assegurado que o nosso acordo prossegue essencialmente como planeado. E isso é que é o mais importante”, acrescentou.

Ao contrário do circuito americano, que apenas deverá sofrer os principais efeitos da crise a partir de 2011 (embora já tenha tido vários torneios cancelados e/ou rebaptizados este ano), a Race To Dubai sofreu com a depressão global logo no primeiro ano. Para muitos, é mesmo uma extraordinária vitória (e uma vitória, em particular, de George O’Grady pessoalmente) que tenha chegado a bom porto neste arranque, tal o negrume das nuvens que chegaram a pairar sobre ela.

De resto, foi um ano espectacular. Para além da atenção granjeada e da competitividade ostentada, a primeira edição da Race To Dubai há-de ser recordada por uma miríade de pequenas e grandes histórias com destino à eternidade. Depois de Pablo Martin ter-se tornado, em 2007, no primeiro amador a vencer no European Tour (precisamente no Open de Portugal), o circuito europeu assistiu este ano aos triunfos de outros dois amadores: o neo-zelandês Danny Lee, de 19 anos (no Johnnie Walker Classic, em Fevereiro), e o irlandês Shane Lowry, de 23 (no The 3 Irish Open, em Maio). E, no pólo oposto, Tom Watson esteve à beira de, aos 59 anos, tornar-se no mais velho vencedor da história do mais importante torneio europeu (o British Open), fazendo três putts no 72º buraco para cair num playoff com Stewart Cink, em que acabou inapelavelmente batido.

Mesmo para Portugal, foi uma excelente temporada. Depois de ter perdido o cartão do European Tour para 2009, José-Filipe Lima empenhou-se a fundo no Challenge Tour e acabou o ano em segundo lugar, recuperando com facilidade a sua isenção para a primeira divisão. Os três torneios nacionais, nomeadamente o Open da Madeira, o Open de Portugal e o Portugal Masters, correram muito bem – e o Masters não só teve o melhor field de sempre, como mereceu excelente atenção da parte dos media internacionais, até em resultado do triunfo de um jogador de top mundial.

Ao todo, e disputada a Omega Mission Hills World Cup, a época europeia (e, portanto, a primeira edição da nova Race To Dubai) terá compreendido 54 torneios realizados em 27 países diferentes e com um total de 154 milhões de euros distribuídos em prize money. Um total de 368 profissionais (dos quais três portugueses, José-Filipe Lima, Ricardo Santos e Tiago Cruz) contaram para a classificação. O vencedor receberá os tais 1,25 milhões de dólares, mais o prestigiado Troféu Harry Vardon, uma isenção de sete anos para o European Tour e a entrada directa para a categoria 1 na qualificação para os torneios regulares (a mesma que contempla os vencedores dos torneios do Grand Slam).

Para o Dubai World Chapionship desta semana estão qualificados apenas os 60 primeiros, depois de apurados os pontos acumulados no UBS Hong Kong Open (em número significativo) e no JBWere Masters (em número pouco mais do que irrelevante). Em jogo estarão, na prática, dois prize moneys diferentes: 7,5 milhões de dólares (as competições arábicas continuam a premiar em dólares, não em euros) para distribuir entre os 60 participantes e outros 7,5 para distribuir entre os tais 15 primeiros do campeonato anual.

Os responsáveis do European Tour visitaram na semana passada o Jumeirah Golf Estates e ficaram encantados com as actuais condições do Earth Course, assim como com as infra-estruturas reunidas pelas autoridades locais para a circulação do público e a transmissão televisiva (que chegará a Portugal via SporTV). O campo é da autoria do australiano Greg Norman e tem como particularidade o facto de os últimos quatro buracos (dois par 4, um par 3 e um par 5) medirem, no total, exactamente uma milha (ou 1609 metros). “É um desafio extraordinário”, comentou David Garland, o chefe da delegação. “Será um glorioso clímax para a época completa”.





UM TORNEIO PARA A ETERNIDADE


É o fim da primeira edição da grande corrida com que a Europa respondeu à americana FedEx Cup. Ao todo, serão disputados 54 torneios e distribuídos mais de 154 milhões de euros em prémios. Mas os 15 milhões de dólares em jogo esta semana é o dinheiro mais apetecível de todos.


Dubai World Championship presented by: DP World

Campo:
Earth Course, Jumeirah Golf Estates, Dubai, Emiratos Árabes Unidos

Data: 19-22 de Novembro

Prize Money do evento: $ 7,500,000 (mais $ 7,500,000 relativos à Race to Dubai, com contas a fazer no final deste evento)

Campeão em título: novo evento


TRANSMISSÃO SPORTV:
de quinta a domingo, 08.00-13.00





MAIS RENHIDO DO QUE NUNCA


Paul Casey está lesionado, pelo que a corrida, agora, é sobretudo entre os quatro da frente. Mas a disputa foi, em todo o caso, mais renhida e excitante do que nunca. E, depois do WGC - HSBC Champions (antes do UBS Hong Kong Open deste fim-de-semana, pois), a classificação estava assim:


POSIÇÃO JOGADOR PAÍS TORNEIOS JOGADOS PRIZE MONEY

1 Lee WESTWOOD Inglaterra 24 €2,404,579

2 Rory MCILROY Irlanda do Norte 23 €2,352,259

3 Martin KAYMER Alemanha 19 €2,332,544

4 Ross FISHER Inglaterra 21 €2,105,047

5 Paul CASEY Inglaterra 14 €2,014,063

6 Geoff OGILVY Austrália 11 €1,673,814

7 Oliver WILSON Inglaterra 23 €1,668,252

8 Simon DYSON Inglaterra 30 €1,483,263

9 Ernie ELS África do Sul 16 €1,375,704

10 Ian POULTER Inglaterra 13 €1,369,702


 


FEATURE. J, 15 de Novembro de 2009

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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