Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010
publicado por JN em 17/9/10



1.
À hora a que escrevo, passaram-se já mais de 75 minutos sobre o jogo de Lille – e, um tanto surpreendentemente, ainda não ouvi Diogo Salomão dizer que quer “dar o salto”, que a sua grande ambição é “jogar em Espanha ou em Inglaterra” ou que tem “o sonho de trabalhar um dia com José Mourinho”. Também é verdade que apenas li transcrições de excertos das suas declarações, mas em todo o caso (e acreditando na presença de espírito dos jornalistas presentes em França), quero acreditar que efectivamente não o tenha dito. Pois só isso já será novidade em relação aos seus predecessores no papel de próxima-grande-coisa sportinguista.


Ouço frequentemente dizer que Diogo Salomão poderá ser “o novo Nani”. Não sei: ainda só o vi jogar duas vezes (embora ambas bem) – e este jogo em particular, é preciso reconhecê-lo, era especialmente apropriado a um jogador com as suas características. Em todo o caso, dispenso “novos Nanis” (a não ser pelo rendimento de vinte milhões de euros que um novo Nani poderia trazer, embora nada nos garanta que esse dinheiro seria para investir na equipa). Nani tem enorme talento, mas nunca deu o que quer que seja ao Sporting. Diogo Salomão, pela sua atitude em campo, parece ser radicalmente diferente. Pelas declarações, idem aspas. E oxalá o seja mesmo.


 


2. Paulo Sérgio começou a ganhar este jogo na constituição da equipa inicial – e só isso já o distingue da maior parte dos treinadores que passaram pelo Sporting desde László Bölöni. Confrontado com a necessidade de agitar as consciências dos seus jogadores, surpreendeu-os na curva e deixou os titulares quase todos no banco. Arriscou, é verdade. Fez gambling, sim senhor. Mas conquistou duas bases importantíssimas. A primeira é o apreço do público e da Imprensa pela qualidade do plantel, agora subitamente reconhecido como tendo “várias opções”. A outra é a possibilidade de chegar ao fim e dizer que os titulares originais “não têm lugar garantido” no jogo contra o Benfica, o que pode ter no balneário um alcance que nada mais teria.


Tem tido altos e baixos, o Sporting. Depois de uma pré-época duríssima, jogou muito mal em Paços de Ferreira e de forma especialmente cinzenta contra o Marítimo, a Naval e o Olhanense. Mas ganhou 3-0 na Dinamarca, num jogo de vida ou de morte – e agora venceu em Lille com uma boa exibição na primeira parte, que a aflição final não chega para ofuscar. Por mim, continuo confiante em Paulo Sérgio. Com o “pinheiro” que ele tanto pediu, esta época bem podia estar a correr de forma completamente diferente. Fica-lhe a lição: para a próxima, não aceite um “não” por resposta.


CRÓNICA DE FUTEBOL ("Futebol: Mesmo"). Jornal de Notícias, 17 de Setembro de 2010

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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