Sexta-feira, 13 de Agosto de 2010
publicado por JN em 13/8/10



1.
Marat Izmailov é um bom jogador de futebol, que no entanto deu muito menos ao Sporting do que aquilo que o seu talento teria permitido. Por esta altura, a sua reabilitação é impossível. Independentemente dos mistérios que possam rodear o seu declínio em Alvalade, o russo está com um pé fora do clube há demasiado tempo. Deveria ser vendido já. E, no entanto, é fundamental, desta vez, incluir no contrato de transferência uma cláusula impedindo-o de regressar a Portugal (ou, vá lá, impondo, em caso de tais circunstâncias, uma indemnização para o Sporting de montante suficientemente dissuasor). Izmailov não é João Moutinho. Moutinho é o VW Golf  que sabemos: sempre bonzinho, nunca brilhante. Izmailov pode ser brilhante. E Pinto da Costa sabe que ele pode ser brilhante.


2. Inquietava-se o “Record” de quarta-feira com o facto de o Sporting ser, dos três grandes, aquele com “pior saldo financeiro nas transferências de atletas durante o ano de 2010”. Ao todo, o Sporting investiu em compras mais 3,8 milhões de euros do que aquilo que facturou em vendas. Eu acho que foi pouco: provavelmente, deveria ter acumulado o triplo desse prejuízo. Por outro lado, o balanço também prova a falência da política desportiva do clube ao longo dos últimos sete/oito anos. Afinal, ficámos sem pérolas – e, em troca delas, nem dinheiro suficiente para a constituição de um plantel equilibrado conseguimos. Resultado: já estamos a perder dinheiro – e, embora tenhamos Izmailov para vender, ainda nos falta pelo menos um bom avançado e um bom guarda-redes (para além de mais um médio-ala, em caso de saída de Izmailov). Parabéns pelo “projecto”.


3. É claro que Corradi gostava de jogar no Sporting. Tem 34 anos, é terceira opção na Udinese, já não vai a tempo de fazer mais nenhum grande contrato – e a oportunidade que lhe aparece aqui é a de fazer um contrato razoável e, ao mesmo tempo, receber as verbas do contrato vincendo com o seu actual clube. Basicamente, é um potencial reformado de ouro mesmo à morte para calçar as pantufas. Mas é preciso que não nos esqueçamos de que Acosta, chegado a Portugal com 33 anos, também o era. E que, aliás, tanto Michel Preud’homme (chegado ao Benfica aos 35) como Peter Schmeichel (chegado ao Sporting aos 36), e por muito que o posto de guarda-redes seja diferente, o eram igualmente. Eu apostava tudo num bom exame de motivação. Há um estranho fulgor, às vezes, nos homens à beira do fim. Provar que o fim ainda não faz sentido – eis aquilo que Corradi tem de querer.


CRÓNICA DE FUTEBOL ("Futebol: Mesmo"). Jornal de Notícias, 13 de Agosto de 2010

Joel Neto


Joel Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1974, e vive entre o coração de Lisboa e a freguesia rural da Terra Chã, na ilha Terceira. Publicou, entre outros, “O Terceiro Servo” (romance, 2000), “O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas” (contos, 2002) e “Banda Sonora Para Um Regresso a Casa” (crónicas, 2011). Está traduzido em Inglaterra e na Polónia, editado no Brasil e representado em antologias em Espanha, Itália e Brasil, para além de Portugal. Jornalista de origem, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, como repórter, editor, autor de conteúdos e apresentador. Hoje, dedica-se sobretudo à crónica e ao comentário, que desenvolve a par da escrita de ficção. O seu novo romance, “Os Sítios Sem Resposta”, sai em Abril de 2012, com chancela da Porto Editora. (saber mais)
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